<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-22804862</id><updated>2011-04-21T20:06:11.067-03:00</updated><category term='socialismo'/><category term='século XXI'/><category term='America Latina'/><category term='revolução bolivariana'/><title type='text'>Experiência Bolivariana</title><subtitle type='html'>Vivências, análises, crônicas e um filme: 
um olhar sobre o proceso revolucionário na América Latina</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://estebanalbizuri.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22804862/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://estebanalbizuri.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Esteban Albizuri</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08678679544167779291</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>8</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-22804862.post-2983716761081035449</id><published>2007-03-24T12:07:00.000-03:00</published><updated>2007-03-24T12:11:51.213-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='revolução bolivariana'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='socialismo'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='America Latina'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='século XXI'/><title type='text'>Venezuela Bolivariana - o filme</title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;Documentário que retrata a experiência do processo revolucionário em curso na República Bolivariana da Venezuela. O povo venezuelano assume a narração do mais importante processo de transformação social vivido na América Latina nos dias atuais.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=9DRjs567E00"&gt;PARTE 1&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=wD9kep4r93g"&gt;PARTE 2&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/22804862-2983716761081035449?l=estebanalbizuri.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://estebanalbizuri.blogspot.com/feeds/2983716761081035449/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=22804862&amp;postID=2983716761081035449' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22804862/posts/default/2983716761081035449'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22804862/posts/default/2983716761081035449'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://estebanalbizuri.blogspot.com/2007/03/venezuela-bolivariana-o-filme.html' title='Venezuela Bolivariana - o filme'/><author><name>Esteban Albizuri</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08678679544167779291</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-22804862.post-114419532461403177</id><published>2006-04-04T20:59:00.000-03:00</published><updated>2006-04-04T21:02:04.636-03:00</updated><title type='text'>O Socialismo no Século XXI</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:courier new;"&gt;&lt;em&gt;“Entre vencer o morir. Necessário es vencer!”&lt;br /&gt;José Felix Ribas&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Neste momento, na Venezuela, estão acontecendo várias coisas que chamam a atenção para quem se propõe a pensar um mundo diferente do que temos hoje. Como diriam os bons marxistas, é um excelente local de exposição para vivenciar inúmeras categorias que serviriam para analisar a realidade e para repensar caminhos para o futuro das lutas sociais. Confesso que é uma das coisas que têm me deixado bastante angustiado... Tem tanta coisa para ver e para ficar pensando e analisando que, sabendo disso, parece que tudo faz parte e, quando começo a achar as coisas familiares e corriqueiras, lanço mão da etnografia e tento estranhar o aparentemente óbvio e claro, para lançar novos olhares sobre o tema. Acontece que, não bastasse a quantidade de coisas para ver, ainda ter que re-analisar o que já parece entendido é algo que deixa o “cabra” meio maluco!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas tentemos falar um pouco sobre o socialismo do século XXI, ou socialismo para o século XXI, como queiram...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando venho para a Venezuela à procura de entender algumas coisas da revolução bolivariana e de todo o processo que vem ocorrendo por estas bandas, trago comigo um olhar de quem não está satisfeito com as coisas como estão. A diferença entre os seres humanos é algo que beira o insuportável, e ainda mais analisando que essa diferença não é fruto de uma vontade divina ou de um simples “ser diferente”. É uma diferença construída ao longo de toda a existência humana, onde a reprodução da vida e a cegueira em relação ao espaço que cada um deve ocupar neste mundo é carregada de individualismo e um “umbigocentrismo”, entre tantas outras coisas, que fazem que nos encontremos na situação caótica que temos hoje. Há uma segunda coisa que para mim é insuportável em relação ao estado das coisas atuais: a destruição da nossa própria casa. Por onde vamos, por onde andamos, há o desrespeito e a destruição do ambiente – ambiente que é nossa casa! Essas duas coisas, ambas construídas historicamente por nós mesmos são coisas que têm que mudar! Muitos sabidos já vêm dizendo há algum tempo: não dá para continuar brincando muito mais, a velocidade de destruição, autodestruição é crescente! Dá quase para dizer que estamos correndo contra o tempo!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nesse momento, a Venezuela é extremamente interessante para se analisar algumas coisas, porque aqui se está propondo uma mudança real e concreta, e é uma mudança que tem um determinado sentido. Essa mudança se está propondo a partir de um país capitalista e com todos os problemas que nós temos em todos os nossos países da América Latina, do terceiro mundo e porque não (salvando raríssimas exceções) do mundo inteiro: exclusão social, miséria, concentração de renda e terra, poluição, destruição do meio ambiente, falta de saúde, falta de educação, falta de emprego, etc., etc.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas qual é o sentido dessa mudança?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Temos que criar uma maneira de substituir o capitalismo por algum outro sistema de relações sócio-político-econômicas. Está mais do que provado que, da maneira que vamos, com o sistema que vamos, não vamos chegar a lugar nenhum. As diferenças entre os seres humanos só crescem e o meio ambiente, cada dia, é mais destruído. Ou acaso alguém já ouviu o Jornal Nacional anunciar alguma vez que a Floresta Amazônica está crescendo? Mas para isso temos que partir do ponto concreto onde nos encontramos, não dá para pensar que o mundo tem que ser diferente para podermos mudá-lo. O mundo que temos que mudar é esse mesmo mundo que vai amanhecer amanhã de manhã, não é outro! Isso é fato! O sentido da mudança então tem que ir num sentido de distanciar-se do capitalismo e tudo o que este sistema produz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aqui na Venezuela estão sendo feitas algumas coisas que chamam a atenção, porque vão em outra direção, diferente da que estamos acostumados a ver em outras partes e feitas por outros governos. Essa direção contrária tem algumas características que precisam ser anotadas. Existe efetivamente um movimento de inclusão social, existe um movimento em direção à diminuição das diferenças entre os diferentes seres humanos. Se esse movimento vai dar conta de gerar uma sociedade sem classes é outra história, mas, no concreto do hoje, é um movimento que está diminuindo diferenças. E essas diferenças ainda continuam a diminuir, ou seja, há movimento, um movimento de inclusão social efetivo. Até onde ele pode avançar ou qual a potência dele são perguntas pertinentes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outra característica interessante do processo bolivariano é o que se tem chamado desenvolvimento endógeno. Ou seja, desenvolver a economia, a sociedade e o conjunto do país no sentido de dar conta das necessidades que existem na região. Isso é um movimento que se dá em nível micro, meso e macro. É um olhar que orienta desde uma comunidade em um bairro até o conjunto da força produtiva no país. Educar um povo para trabalhar com as suas necessidades, trabalhar essas necessidades com as disponibilidades materiais que se tem regionalmente, desenvolver a ciência e o progresso da região no sentido de casar necessidades e viabilidade de resolução de problemas é o eixo principal no qual opera o dito desenvolvimento endógeno.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outro dia escutei do presidente do Partido Comunista Venezuelano, numa palestra comemorativa do lançamento do Manifesto Comunista, que existem quatro grandes revoluções necessárias: a revolução política, a revolução econômica, a revolução cultural e a revolução moral, ética e estética. Interessante dispositivo para analisar a situação atual da Venezuela e pensar em um possível Socialismo para o Século XXI.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essas quatro revoluções não são feitas necessariamente em seqüência, uma após a outra, mas sim todas juntas em uma intensa disputa político-econômico-ideológica. Criar um modelo, uma matriz, para analisar como cada passo dado em um determinado sentido influencia o outro é um complexo exercício e não vou me aventurar nessa direção com medo de cometer algum suicídio teórico. Mas acredito que é um caminho interessante para se pensar as trilhas que vão se conformando em um processo revolucionário.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Interessante analisar as mudanças propostas no processo bolivariano nesses quatro frentes revolucionários...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Politicamente, existe uma grande mudança. Poucos são aos que resta dúvida de que o projeto político da revolução bolivariana é diferente e propõe mudanças importantes. O discurso coerente com a prática é um primeiro sinal dessa mudança. A postura internacional antiimperialista é outro sinal revolucionário na política. O desenvolvimento interno e a política de organização de um bloco regional de poder são outras mostras de que, na política, existe, sim, uma revolução que propõe mudanças em uma outra direção ao que o capitalismo planetário pautaria para um país com as características venezuelanas na América Latina.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Economicamente, também se encontram indicativos de que existem mudanças importantes. Pelo menos no que se refere à macro economia do país. Reconquista da produção petroleira, incentivo à produção cooperativa e reforma agrária são alguns poucos exemplos de que existe uma mudança no planejamento econômico do país.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aqui abro um parêntesis antes de cursar sobre as revoluções culturais e éticas, porque acho importante uma comparação nesse momento com a revolução cubana. Apesar de todos os problemas que tive com os cubanos nessa estadia na Venezuela, não posso deixar de apontar que aquele povo tem realmente uma outra formação ética, operam com outros valores. Falo de maneira geral, correndo o risco de que as exceções façam o desmentido. Os cubanos provavelmente passaram, durante estes 47 anos de processo revolucionário, por uma revolução cultural e ética no âmago da sociedade. De fato, hoje são pessoas que operam com outros valores aos que estamos acostumados. Valores onde a solidariedade e respeito ao próximo sobressaem a outros valores como o individualismo e egoísmo. Falo isso por experiência própria da convivência que já tive com esse povo. Essas diferenças estão presentes nos seus discursos e nas suas ações. Aceitemos isso como fato, mesmo sabendo as inúmeras incoerências que surgem quando a cultura e ética capitalista entram em contato com a revolução cubana. Esta foi construída nos últimos cinqüenta anos, a partir de uma sociedade fundamentalmente agrária e subdesenvolvida, que pouco ou nenhum contato tinha com as “benesses” do capitalismo. Nesses anos, o bloqueio econômico e a política revolucionária evitaram, em grande medida, o contato dos cubanos com o capitalismo como ele foi se construindo no mundo. Digamos que os cubanos não foram “contaminados” com o valores capitalistas durante todo o processo – fato que hoje em dia já não é mais verdadeiro, mas que durante muito tempo assim o foi. Porém, para o caso em questão, não importa, já que este novo contato é recente. O ponto que quero chegar é que o processo cubano se deu em um determinado momento histórico em que aquela sociedade não tinha experimentado as “coisas boas” do capitalismo. E foi a partir daquela sociedade que se construiu o novo homem cubano.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por outro lado, é necessário pensar que a ética do homem do século XXI é essencialmente capitalista, e isso determina, fundamentalmente, a maneira como o conjunto da sociedade interage. Se levarmos em conta que essa lógica de relações é a responsável por nutrir o estado atual das coisas no planeta, desde a diferença entre os diferentes homens, até a assassina destruição do meio ambiente; desde a interação entre homens até a maneira como reproduzimos a vida; vemos que é necessário mudar a lógica ética com a qual nos relacionamos. Mas, nesse momento, caímos no grande perigo de um ciclo “ovo x galinha”. Para mudar a sociedade é necessário mudar o homem, pois este constrói essa; e para mudar o homem é necessário mudar a sociedade, já que esta é responsável pela forja desse. Necessário é mudar os dois juntos. Mas onde é que se dá o “ponto de mutação” no qual o ciclo de capitalismo-egoísmo-individualismo se converte em um ciclo de socialismo-solidariedade-coperativismo? Talvez essa seja outra pergunta interessante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois deste grande parêntesis, volto às outras duas revoluções que faltavam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Venezuela do começo do século XXI tem um povo totalmente embebido nos “prazeres” capitalistas. Toda a sociedade, inclusive as camadas mais carentes da população vive na lógica destes prazeres. Isso porque, hoje em dia, não existem setores que não se relacionem na lógica capitalista, como existia na cuba de meados do século passado. Ou seja, a concretude do homem que se tem que mudar é diferente. A lógica individualista está muito mais arraigada no povo Venezuelano de hoje, do que na Cuba de 1959.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A partir dessa análise, a revolução cultural e ética é uma tarefa homérica, se comparada com o processo cubano. A disputa que se necessita fazer é totalmente diferente da que necessitava ser feita naquela Cuba de ontem. Hoje, o capitalismo está inacreditavelmente incrustado em todas as relações, em praticamente todos os desejos do homem moderno e consegue agradar na sua lógica de funcionamento até no mais escondido canto do planeta. Uma Coca Cola, um programa de televisão, uma música, a cultura popular de maneira geral, tudo “pertence” à lógica capitalista. Assim, tanto a revolução cultural, como ética, terá que caminhar por trilhos estreitos e difíceis para conseguir desmascarar para o conjunto da população que a lógica dos prazeres tem grande relação com a lógica da submissão e da exclusão. A construção de um novo homem, como diria Che, é uma missão difícil e complexa que não tem receitas e que conta com inúmeros inimigos que atuam todos na mesma lógica e de maneira unificada. Talvez este seja o maior dos desafios: a construção de um novo homem enfrentando esse poder tão forte e unidirecional.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um socialismo no século XXI terá que trabalhar no sentido dessa construção. Talvez o mais fácil de pensar e idealizar e aplicar é justamente o que já está em caminho no processo bolivariano: revolução política e econômica. Porém a cultural e a moral, ética e estética tem que ser abordadas e encaradas para não termos que repetir aquela histórica frase que Simon Bolívar pronunciou quando chegou ao final de sua vida política: “He arado en el mar”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A educação como um todo também é uma das grandes apostas da revolução bolivariana. Existe uma investida nas políticas educacionais, desde o processo educacional formal até inovações como a proposta pela &lt;em&gt;Missión Cultura&lt;/em&gt; que se propõe a formar novos atores sócio-políticos que trabalharão como promotores culturais. Tudo isso certamente trabalhará para a formação desse novo homem. Porém todo este novo grande processo não poderá ser avaliado a curto prazo, porque as repercussões dele só serão vistas com o passar dos anos e com as seqüência das gerações. Estas, possivelmente, são as revoluções que mais tardarão em aparecer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entretanto, alguns sinais de mudança já podem ser vistos. A grande participação comunitária, o entusiasmo com o processo de grande parte da população, a aceitação das novas políticas, são alguns sinais que podem ser tomados com indicativos que a transformação começa a acontecer. Acredito que a avaliação deste processo é um dos maiores desafios que se apresentam hoje para saber se os caminhos que estão sendo percorridos estão “certos” ou não. Outra homérica tarefa!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A forma que o socialismo terá que assumir no século XXI dependerá dos caminhos adotados pelos atores que, envolvidos no processo, se proponham a transformar as coisas como estão e proponham novos rumos para o mundo. O processo bolivariano está sendo ponta de lança e vai referenciando os caminhos do possível. Inclusão social, desenvolvimento endógeno, novas políticas educacionais, muito está sendo feito, muito há que aprender com o que está sendo feito por estas paisagens do mundo e muito ainda tem que ser inventado ou re-inventado. Sendo necessário transformar, mudar, revolucionar as coisas da forma como estão, esta tarefa é posta para nós – todos aqueles que estão vivos e que concordam com essa premissa. Nas transformações para fora, sociedade, e, para dentro, nós mesmos, há um imenso, tortuoso e incerto caminho para percorrer. Todos, absolutamente todos, que concordem com isso, até aqueles que acham que o seu momento já passou, são necessários neste momento. Se navegar é preciso, inventar e estudar é mais preciso ainda!&lt;br /&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/22804862-114419532461403177?l=estebanalbizuri.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://estebanalbizuri.blogspot.com/feeds/114419532461403177/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=22804862&amp;postID=114419532461403177' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22804862/posts/default/114419532461403177'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22804862/posts/default/114419532461403177'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://estebanalbizuri.blogspot.com/2006/04/o-socialismo-no-sculo-xxi.html' title='O Socialismo no Século XXI'/><author><name>Esteban Albizuri</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08678679544167779291</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-22804862.post-114312567964855558</id><published>2006-03-23T11:47:00.000-03:00</published><updated>2006-03-23T11:54:39.673-03:00</updated><title type='text'>Comunidade Reunida</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:courier new;"&gt;&lt;em&gt;Projeto de Estado, organização popular e novos caminhos na Revolução Bolivariana&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Fim de tarde de uma quinta-feira, véspera de carnaval, fui convidado a participar de uma assembléia comunitária do bairro Caricuao, onde estou morando. O motivo da reunião era a eleição de representantes comunitários que irão iniciar o trabalho de divulgação e organização do &lt;em&gt;Conselho Comunal&lt;/em&gt; daquele setor do bairro. Não estamos falando da eleição dos conselheiros propriamente ditos, mas de pessoas da comunidade que terão a incumbência de se apropriar do tema, colher dados e ajudar na implementação concreta destes conselhos. Esses &lt;em&gt;Conselhos Comunais&lt;/em&gt; serão responsáveis por administrar e gerir a vida pública no âmago das comunidades. Espaços públicos que vêm ganhando importância, porque serão os responsáveis por administrar um certo recurso que será descentralizado para as comunidades. (Para entender melhor qual é o projeto dos conselhos comunais pode-se ler &lt;em&gt;Aprofundando o conceito de democracia&lt;/em&gt; neste mesmo blog).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Combinei de me encontrar com os responsáveis pelo evento na porta da estação de metrô Ruiz Pineda, de onde iríamos subir para a reunião na comunidade. Depois das devidas apresentações para aqueles que ainda não se conheciam, a orientação era subir imediatamente para o local da reunião. O caminho era uma escada estreita, tortuosa e que parecia ser bem longa. Começamos a subir no mesmo momento em que o sol terminava de retirar sua despretensiosa luz daquele dia. Ao longo da subida, a noite caiu. Os contrastes dos morros foram desaparecendo e começaram a surgir inúmeras estrelas em cada porta daquela comunidade. É assim que ficam os &lt;em&gt;Barrios&lt;/em&gt; quando a noite chega: morros cravados de estrelas luminescentes – cada astro corresponde a uma casa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A reunião foi feita em um dos poucos pedaços planos da comunidade, um pequeno terreno cimentado onde a criançada joga basquete, um espaço que somente tem espaço para uma tabela. Com uma infra-estrutura já montada, composta de duas pequenas tendas, cadeiras e som, tudo já devidamente montado, as pessoas começavam a chegar ao local. Em um primeiro momento, a impressão que deu era que seria uma assembléia bem vazia. Com quarenta minutos de atraso ao horário previamente combinado, menos de quarenta pessoas ocupavam as cadeiras. Mas, levando em conta que estamos na Venezuela e tudo aqui começa tarde, isso não necessariamente indicaria um atraso do evento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os minutos foram passando e aos poucos a comunidade começou a ocupar as cadeiras vagas. Claramente, viu-se que as pessoas chagavam do trabalho, passavam por casa e logo se dirigiam ao evento. Entre conversa e conversa, as tendas com suas cadeiras foram sendo definitivamente ocupadas pela população daquela comunidade, facilmente somando mais de cento e vinte pessoas naquela reunião. O que, sem dúvida, é extremamente representativo sobre o total da população que aquele &lt;em&gt;conselho comunal&lt;/em&gt; pretende representar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Formou-se uma mesa de autoridades e a coordenadora da Chefatura Civil (entidade ligada à prefeitura que tem o papel de organizar alguns aspectos da vida comunitária) iniciou a reunião. Ela apresentou o tema, falou da importância da formação dessas organizações comunitárias e organizou como seriam escolhidos os seus componentes. Na seqüência, tomou a palavra um trabalhador social que é o responsável pela articulação entre as políticas públicas governamentais e as comunidades, colando novamente a importância daquele espaço e a necessidade de responsabilidade para exercer a função para a qual se escolheriam os representantes. Pediram-me que falasse algumas palavras sobre a minha impressão forânea do processo bolivariano. Assim, coloquei alguns pontos que vejo importantes no processo, bem como falei da minha gratidão para com o povo e sua calorosa recepção. Antes disso, uma representante da &lt;em&gt;Missión Robinson&lt;/em&gt;, atravessou o espaço falando sobre as dificuldades que vinha enfrentando nos últimos tempos para levar seu trabalho a cabo naquela comunidade. Enfim, várias falas explicativas antes de iniciar o processo eleitoral propriamente dito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A reunião, bem organizada e bem conduzida, se encaminhou para o seu objetivo principal: a eleição de representantes comunitários que dispararão o processo de instalação dos conselhos comunais. A eleição foi muito mais rápida do que eu poderia imaginar. Os candidatos foram nomeados pelas próprias pessoas da comunidade. O processo consistia em um &lt;em&gt;compatriota&lt;/em&gt; ir indicando o outro para concorrer. Desta forma foi organizada e lida uma lista com o nome dos candidatos. A plenária levantava a mão para dizer se aprovava ou não aquela postulação. Nenhum foi negado, mas foi nítido que havia algumas pessoas mais “aprovadas” que outras. Notei também que havia disputa pelo poder daquele espaço público em questão, fator que num primeiro momento me causou um pouco de desconforto, mas, analisando melhor, é uma demonstração de que o espaço é ativo e não esvaziado; é um lugar onde atuar nele tem valor, é algo importante para aquelas pessoas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com algumas falas de estímulo ao processo e de valorização da revolução, a reunião terminou. Poderia ter vivenciado aquele espaço sem maiores repercussões internas, mas, de fato, houve muitas coisas que me chamaram a atenção naquela noite. Conversei com a &lt;em&gt;Chefa Civil&lt;/em&gt; e ela me falou que nada daquilo era extraordinário, ou seja, é um processo que está acontecendo em todas as comunidades e em todos os cantos do país. Não foi uma reunião isolada, foi um espaço de construção de um pequeno nó de uma grande rede que está sendo tramada no país, por todas as partes. Em toda a Venezuela estão se construindo conselhos comunais que terão de fato poder, representatividade e protagonismo comunitário. Essa construção é feita com a participação direta das comunidades e mesmo que a linha organizacional, objetivos e diretrizes venham do governo central, as comunidades estão assumindo um papel extremamente importante na construção dessa nova fase do país.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não conheço qual é o acúmulo histórico específico daquela comunidade, mas era claro que já existia uma base organizacional, que alguns importantes passos já haviam sido dados. E a maneira como aquela reunião se deu, desde a sua estrutura física, com cadeiras, tendas, som e água para todos os participantes, até a maneira de organizar as falas e intervenções, passando pela interação da comunidade no espaço, mostraram claramente isso. As comunidades estão assumindo seu papel protagônico dentro do processo bolivariano, estão aprendendo a se organizar e isso é muito potente para desenvolver o trabalho que está sendo proposto pela Revolução.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Existe um movimento duplo acontecendo no processo revolucionário. Por um lado o governo estimula a organização e participação comunitária com projetos, recursos e insumos. Por outro lado, a comunidade participa e assume o protagonismo da sua esfera de poder, que é o próprio poder comunal, o poder de poder fazer concretamente mudanças no seio das comunidades. É um trabalho conjunto, é distribuição de poder para os menos favorecidos, é a compreensão de que cada um tem seu papel e que as coisas só acontecem a partir do momento em que um processo se junta ao outro. E, somando a esse fato e fazendo parte do mesmo processo, as pessoas, as comunidades, têm a consciência de que este é um processo que está ocorrendo em todo o país e que o conjunto das comunidades estão num caminho semelhante. Isso é fator de unidade com o projeto maior, o &lt;em&gt;Projeto Revolucionário Bolivariano&lt;/em&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há algumas semanas, quando fiquei sabendo de como está sendo pensado o mecanismo de funcionamento destes conselhos, qual o poder que teriam e como se faria o controle dos recursos, fiquei bastante preocupado em como é que este dinheiro seria aplicado e como é que seria possível evitar o fantasma da corrupção e da ética capitalista e individualista das nossas sociedades. E isso foi uma das coisas interessantes de ter participado daquela reunião: há participação popular concreta, real e massificada; as pessoas sabem e têm consciência do que é que está acontecendo; a informação não fica na mão de um punhado de líderes; o conjunto da população está envolvida com as questões que lhe dizem respeito diretamente. Cada morador saberá quais serão os projetos aprovados e fiscalizará o andamento de obras e projetos, já que tudo isso é decidido dentro da própria comunidade. Projeto, decisão, obra e financiamento serão geridos diretamente pelo coletivo de moradores. É a valorização do coletivo sobre o individual, é um dos caminhos da construção do socialismo do século XXI.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enquanto pensava todas estas coisas desci o morro, percorri a mesma escada que tinha me levado até o local da reunião. Agora as constelações ficavam muito mais claras e os morros se tornavam ao longo dos vales em várias galáxias... Caminhei de volta para casa pensando nos caminhos que ainda faltam percorrer, pensando em como potencializar ainda mais este tipo de experiência, e fiquei imaginando como seria, sim, possível a participação popular e o protagonismo num Brasil que se propusesse a tais desafios. Se um processo semelhante acontecesse de fato e fizesse com que o conjunto da população tomasse consciência de que tem poder; certamente teríamos milhões e milhões de novos seres políticos no nosso país.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estas e outras coisas seguiram se passando pela minha cabeça, signifiquei um pouco mais e senti que de fato a aposta desta Revolução é nas pessoas, é nos venezuelanos e venezuelanas, é neste povo bonito que luta e briga por um país e um mundo melhor, mais justo e mais nobre.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/22804862-114312567964855558?l=estebanalbizuri.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://estebanalbizuri.blogspot.com/feeds/114312567964855558/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=22804862&amp;postID=114312567964855558' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22804862/posts/default/114312567964855558'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22804862/posts/default/114312567964855558'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://estebanalbizuri.blogspot.com/2006/03/comunidade-reunida.html' title='Comunidade Reunida'/><author><name>Esteban Albizuri</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08678679544167779291</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-22804862.post-114210407262105796</id><published>2006-03-11T16:02:00.000-03:00</published><updated>2006-03-11T16:07:52.650-03:00</updated><title type='text'>Lavando a Roupa Suja</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:courier new;"&gt;&lt;em&gt;Dialogando com a oposição&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Este texto é um pouco diferente dos outros que escrevi até agora. É a narrativa de uma conversa que tive há alguns dias. O texto, naturalmente, não é literal ao que aconteceu na realidade porque não tenho memória de elefante, mas tentará reconstruir a dita conversa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Após alguns dias em Caracas, morando na casa de uma família de classe média, com a lavadora de roupa quebrada, me vi obrigado a procurar algum lugar onde pudesse tirar o pó preto que se junta nas roupas de quem caminha pelas ruas da capital da República Bolivariana da Venezuela – além da sujeira natural que diariamente produzimos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois de rodar muito com uma mochila de roupa suja nas costas, descobri que há uma lavanderia nos fundos de uns dos prédios vizinhos de “casa”. Um local bastante escondido e que funciona porque a propaganda desse tipo de negócio, definitivamente, não se faz por cartazes espalhados pelas ruas. Nele, há quatro máquinas de lavar e três máquinas de secar roupa, uma funcionária – que é também uma das donas – e uns telefones celulares públicos (coisa que é muito comum no país por causa da bagunça que é a telefonia celular aqui). O local é bem organizado e os preços são modestos; a atenção é cuidadosa e transfere segurança de que as roupas não voltarão pior do que chegaram. Diferente do que pudera parecer num primeiro momento, a lavanderia funciona sob o comando dos donos que fazem todo o trabalho de colocar as roupas na máquina, colocar o sabão, esperar, colocar para secar, etc. Para mim, o trabalho é, basicamente, levar a roupa, calcular quantas lavagens serão necessárias, separar as roupas por cores e tal, combinar o horário de entrega, pagar e pronto: roupa limpa!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pois bem, no primeiro dia em que fui deixar a roupa para lavar, quem me atendeu foi Helena, uma das donas e a pessoa que faz tudo funcionar no local. Naquele dia, estava sozinha. Ela me conta que não é a única dona e que têm outras pessoas que a ajudam nos dias em que há muito trabalho. Deixei a roupa suja, combinei quantas lavagens seriam necessárias, paguei e fui fazer minhas coisas...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando volto para pegar a roupa já limpa, começo a conversar com ela. Helena me pergunta se estou na Venezuela desde o Fórum Social Mundial – estava com um boné do FSM, além do sotaque argentino tornar impossível a minha camuflagem de caraquenho – e me pergunta o que é que estou achando do país. Conto que estou gostando muito, que sou médico, que estou fazendo parte de uma pós-graduação em saúde pública e que estou estudando um pouco o processo bolivariano, mostrando empolgação com o que estava fazendo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para minha surpresa, antes que eu possa avançar na minha história ela diz:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Eu não estou com o processo! Eu não gosto do presidente!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu não tinha perguntado, mas frente a essa explicitação tão convicta, deixei a minha pressa de lado e decidi explorar um pouco mais aquela situação até então inusitada e inédita. Perguntei por que é que ela tinha essa opinião.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Olha, eu trabalhava na secretaria de planejamento, como secretária, e fui despedida por ser contra o processo. Eu trabalhava e, só porque votei contra o presidente Chávez no referendum, me colocaram para fora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Mas, você fazia campanha ou alguma coisa do gênero?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Você sabe como são essas coisas e esses cargos, quem não é da patota não pode ficar por perto dos caras do governo. Eu fazia campanha e, quando descobriram que eu estava articulando algumas pessoas que também estavam em desacordo com o presidente, me colocaram na rua.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Mas por que é que você é contra o governo? Por que é que você não gosta do que está sendo feito? – Faço uma pausa ao ver que ela começava a ficar incomodada, mas decido continuar insistindo – Alguma coisa mudou na sua vida desde que o Chávez assumiu a presidência?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Na minha vida não mudou nada! Eu não gosto da maneira como está sendo feito, é um jeito muito militar, muito autoritário! Se não for feito da maneira que o presidente quer não é possível fazer nada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Palavras duras e firmes, mas algo me dizia que não me devia dar por satisfeito e que deveria investigar um pouco mais aquelas palavras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Mas o que é que você quer dizer com a maneira como é feito? Você acha que piorou em relação ao que existia no passado?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- É, piorou sim!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas não tem um bocado de coisas sendo feitas? A Missión Barrio Adentro, os projetos educativos...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- É verdade, têm várias coisas que estão sendo feitas. Há coisas melhores, isso eu não posso negar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Mas você diz que o que você não gosta e o que você não concorda é a forma, mas você não acha que o que está sendo feito, por exemplo, na educação, é bastante interessante? Eu não conheço muito ainda, mas pelo que andei vendo até agora parece ser um programa bem interessante!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- É! Eu até estou estudando na &lt;em&gt;Missión Ribas&lt;/em&gt;, vou me formar com o segundo grau completo no final do ano. Faz um ano que voltei a estudar e depois quero continuar estudando. Quero ver se consigo achar tempo para estudar jornalismo. Você sabe, agora todo mundo que quer pode estudar!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Eu não entendo, você diz que é contra o processo e que não gosta das coisas que se estão fazendo, mas pelo que você me conta algumas coisas já mudaram na sua vida!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Eu não gosto do jeito que ele governa!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Mas... Eu não sei, faz pouco tempo que estou por aqui, falo só do pouco que ando vendo e conversando com as pessoas. Pelo o que sei, o Chávez fala que está distribuindo poder e que a comunidade é que tem ser protagonista do processo. Você diz que ele é autoritário?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- É, uma coisa não da para negar: o nosso presidente é o primeiro que tem se preocupado com o povo, é o primeiro que fala para o povo. E o que ele promete, ele cumpre! Antes, você não via um presidente subir nos morros, conversar com as pessoas. Eu mesma já apertei a mão dele!!! – Aparece um ar de orgulho quando ela fala isso – Ele tem muita coisa para falar! Antes os presidentes nunca iam para a televisão para falar, agora tem gente que critica ele porque ele fala muito. Eu acho que se ele fala tanto é porque ele tem coisa para falar. Os outros não tinham nada para falar. O que eles iam dizer: hoje eu roubei tantos milhões por aqui, amanhã venderei tantas empresas públicas por ali... É isso o que eles diriam! O Chávez não é assim! Ele é diferente!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Mas pelo que eu estou vendo você gosta bastante dele. Antes tinhas me dito que não gostavas dele. Agora você só me falou coisas boas! Eu acho que você ama ele!?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela me olhou e ficou sem graça, porque notou que tinha se empolgado falando do presidente e das coisas boas que estão acontecendo no país e na vida dela, mesmo sem admitir. Parou um segundo, levantou a cabeça e continuou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- É, concordo que tenho um sentimento ambíguo, é meio amor e ódio juntos. Sei lá, fiquei confusa agora...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desviamos o papo e me despedi, falando que, agora que havia descoberto aquele lugar, só lavaria minhas roupas com ela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Peguei minha roupas limpas, não muito cheirosas, mas suficientemente limpas para poder empretecê-las novamente pelas curvas das ruas de Caracas. Fiquei pensando o que é que motivaria aquela mulher a ser contra o processo e a explicitar isso! Ela era contra somente no discurso, porque, de fato, via-se que ela falava bem do presidente, de como ele era parecido com o povo, como ele era diferente de tudo o que já existiu no país e tantas outras coisas. Então por que sustentar uma posição para ela insustentável?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois, nas outras vezes que fui lavar roupa, não seguimos nosso debate político. Mas, conversando sobre outras coisas, fiquei sabendo que aquele pequeno negócio, num bairro popular na periferia da capital, teria sido possível graças ao acesso que ela teve a um dos milhares de micro-créditos que, através da &lt;em&gt;Missión Vuelvan Caras&lt;/em&gt;, estão sendo dados pelo governo para dinamizar a economia e melhorar a condição de vida das pessoas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A dúvida sobre quais os motivos que fazem com que ela seja contra o governo e esteja contra o processo não se dissolveram, como a sujeira preta das roupas que lá segui lavando.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Muitas outras vezes, nesses dias todos, achei pessoas que não estão totalmente favorável ao que está sendo feito no processo revolucionário. Porém, sempre que tive a oportunidade de aprofundar os diálogos, descobri que, de uma maneira, ou de outra, a vida das pessoas vêm mudando. E, se não mudou a de uma pessoa em particular, ela conhece alguém que está estudando em alguma missão educativa, que já foi atendida por um médico cubano, que conseguiu um crédito para alguma coisa, etc.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Coisas de uma vida, coisas de uma revolução!&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/22804862-114210407262105796?l=estebanalbizuri.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://estebanalbizuri.blogspot.com/feeds/114210407262105796/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=22804862&amp;postID=114210407262105796' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22804862/posts/default/114210407262105796'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22804862/posts/default/114210407262105796'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://estebanalbizuri.blogspot.com/2006/03/lavando-roupa-suja.html' title='Lavando a Roupa Suja'/><author><name>Esteban Albizuri</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08678679544167779291</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-22804862.post-114056754812270878</id><published>2006-02-21T21:14:00.000-03:00</published><updated>2006-02-21T21:19:08.126-03:00</updated><title type='text'>Aprofundando o conceito de Democracia</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:courier new;"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;“Para terminar com a pobreza, é necessário dar poder aos pobres!”&lt;br /&gt;Hugo Chávez&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Uma das grandes características do processo revolucionário na Venezuela é o aprofundamento da democracia no país. Além de transformar a constituição, implementar inúmeros programas sociais, recuperar e dinamizar a economia e implementar uma política externa agressiva contra o império, entre tantos outros logros, provavelmente um dos aspectos que mais impacto terá a médio e longo prazo neste processo gradual de construção da revolução é a participação popular protagônica das transformações radicais que vêm ocorrendo no país.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que se vê nas ruas e o que se ouve nos bairros é uma pujança popular interessada e comprometida com a revolução. Obviamente que uma das maiores críticas que se escuta dos líderes comunitários e coordenadores de diversos comitês é justamente a falta de participação da comunidade nas coisas que dizem respeito a ela. Porém, se compararmos com a realidade brasileira, veremos claramente que são duas realidades de mobilização diametralmente opostas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nos bairros populares de Caracas, cada bairro, aqui chamado paróquia, é subdivido em setores (divisão feita com base na geografia), sendo que cada setor costuma ter aproximadamente duzentas e cinqüenta famílias. Em cada um desses setores existem diversos grupos que se encarregam dos diferentes “afazeres” da comunidade, por exemplo: comitê de saúde, responsável por grande parte dos assuntos relacionados com a saúde e seus equipamentos; comitê de terras urbanas, que é responsável pelo cadastramento e legalização dos terrenos de posse; mesas técnicas de água, que pensam as soluções para os inúmeros problemas relacionados à água na cidade; juntas paroquiais; comitê de alimentação, que se encarrega de organizar e administrar as casas de alimentação; círculos bolivarianos; e os conselhos comunais, semelhantes aos conselhos de moradores – os quais descreverei com maior detalhes um pouco mais à frente. Esse sistema de organização e subdivisão de tarefas, apesar de ter exemplificado somente o caso de Caracas, ocorre em todo o país.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Percorrendo os bairros com os promotores sociais, que são os profissionais da prefeitura que se encarregam de fazer a articulação na comunidade de todo tipo de política pública – que é proposta pelas diferentes esferas de governo – é perceptível a existência de muitas pessoas envolvidas na dinâmica social e no protagonismo comunitário. Estes profissionais são abordados permanentemente e interrogados por diversas questões relacionadas à realidade da comunidade, são marcadas reuniões de todo tipo e a impressão que se tem é que existe um alvoroço de mudança ocorrendo no âmago dos bairros, onde um grande corpo comunitário está envolvido direta ou indiretamente nos temas referentes à comunidade, envolvido política e socialmente com a revolução. Homens e Mulheres, mas principalmente mulheres, encontram-se e discutem temas de interesse comunitário: como pode ser a reforma da escada que dá acesso a um grande número de casas, o problema da água, o lixo, a entrada ou a saída de um médico, etc. Necessário dizer que nada se faz nas comunidades, pelo menos nas comunidades menos favorecidas, sem o apoio e a participação desses comitês e de coletivos organizados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:courier new;"&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;Os conselhos comunais&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Eixo e estratégia para a distribuição de poder e riqueza nas comunidades (análogos aos conselhos de moradores brasileiros, no que diz respeito à composição de seus atores) são eleitos, em cada um dos setores, em assembléias populares que contam com a convocação de toda a comunidade. Estes conselhos estão ganhando uma força cada vez maior na dinâmica comunitária e são a grande aposta para a distribuição de poder na Venezuela. Há dois projetos importantes envolvendo estes conselhos atualmente no país: o primeiro, já em processo de implementação, é a distribuição de recursos financeiros diretos para estes comitês; e o segundo, ainda em fase de construção, é a criação de “bancos” para manejo destes comitês.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi aprovado recentemente a alocação de recursos para que estes conselhos tenham como administrar pequenas obras e realizações. Estes recursos provêm do superávit orçamentário de estados e municípios, que alocarão 50% desse excedente diretamente em contas correntes dos conselhos comunais, e uma quantia equivalente agregada pelo tesouro da união. Então, os conselhos comunais, setorizados dentro dos bairros, terão a sua disposição recursos financeiros para a realização de pequenas obras e construções para melhoria das condições de vida das comunidades diretamente envolvidas. Não há que se pensar nas grandes obras de saneamento, iluminação, etc., que devem ser feitas por outras entidades. Há que se pensar na realidade dos bairros populares, que são uma aglomeração de casas e moradias parecidas com as nossas, onde existem muitas e muitas pequenas obras que podem melhorar a vida desses moradores e que, se fosse necessário movimentar toda a máquina estatal para dar conta dessas necessidades, essas obras nunca se realizariam. Cada uma destas obras são propostas, discutidas e aprovadas nos conselhos comunais, sem interferência de outros atores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O outro grande projeto é a criação de bancos comunais, onde serão fornecidos micro-créditos com juros muito baixos para pessoas da comunidade e créditos para viabilização de projetos comunitários. Estes créditos, a diferença do recurso próprio dos conselhos, é um empréstimo que tem que ser pago. Toda essa dinâmica é administrada em colegiado do conselho e os responsáveis legais são os próprios moradores que participam do conselho. O controle do destino dos recursos alocados para os projetos também é feito pelos próprios moradores, através do controle social.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O grande problema que se vê no horizonte é a corrupção! É sabido que esse tipo de dinâmica é passível de um grau de corrupção, que tende a não ser pequeno! Entretanto, a aposta que está sendo feita é que a comunidade organizada consiga ser controladora dos seus próprios recursos. É uma aposta, é um passo enorme na construção de um maior protagonismo social. Porém, não se pode deixar de atentar que este ano, ano em que se implementa concretamente esse projeto de distribuição de recursos para os conselhos comunais, é ano de eleição presidencial. E, para a manutenção do projeto revolucionário, é necessário que os Venezuelanos votem em peso para reeleger o atual presidente, Hugo Chávez Frias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É tentar matar dois pássaros com uma cajadada só! Primeiro, o aprofundamento dos mecanismos de distribuição de poder e maior protagonismo social e, ao mesmo tempo, a conquista de eleitores que possam não estar totalmente em conformidade com os atuais passos que o governo revolucionário está dando&lt;/span&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:courier new;"&gt;Dessa forma, o protagonismo social é um dos atores determinantes da articulação do &lt;em&gt;Projeto Revolucionário&lt;/em&gt;, sem o qual não será possível o avanço do processo de aprofundamento e expansão democrática.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/22804862-114056754812270878?l=estebanalbizuri.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://estebanalbizuri.blogspot.com/feeds/114056754812270878/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=22804862&amp;postID=114056754812270878' title='10 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22804862/posts/default/114056754812270878'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22804862/posts/default/114056754812270878'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://estebanalbizuri.blogspot.com/2006/02/aprofundando-o-conceito-de-democracia.html' title='Aprofundando o conceito de Democracia'/><author><name>Esteban Albizuri</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08678679544167779291</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>10</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-22804862.post-114056613723352815</id><published>2006-02-21T20:52:00.000-03:00</published><updated>2006-02-21T21:12:23.800-03:00</updated><title type='text'>Revolução como projeto – Revolução como valor</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:courier new;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;"Se você é capaz de tremer de indignação a cada vez que se comete uma injustiça no mundo, então somos companheiros". Ernesto Guevara de la Serna&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vivenciando e estudando o projeto revolucionário em curso na Venezuela é inevitável fazer análises de quais são as suas peculiaridade, as suas semelhanças e as suas diferenças com o nosso dia-a-dia no Brasil, ou em outros paises latino-americanos. Seja na política, na participação popular, na cultura, na vida das pessoas, etc.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na Venezuela, está explicitamente acontecendo uma revolução. Mas o que é uma revolução? Como o povo venezuelano significa um processo revolucionário? Que definições poderíamos aplicar ao que se vive no cotidiano na República Bolivariana da Venezuela? Perguntas que surgem naturalmente, mas que são de difícil resposta – certamente as diferentes pessoas que possam estar vivendo ou conhecendo esse processo terão respostas também diferentes para o que está acontecendo neste país e para conceituar um processo revolucionário.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Arriscarei abordar o tema usando como base para isso a observação e o significado que este processo está imprimindo neste que aqui escreve.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A necessidade de transformar algo existe quando uma determinada situação, ou coisa, não está mais servindo para um determinado fim. Poderíamos aplicar isso desde uma simples mudança de móveis em casa, até a revolução de uma sociedade. O fato é que, se algo precisa ser transformado, é porque da maneira em que se encontra não é útil, não é “bom”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Revolução poderia ser entendida como a possibilidade de transformar algo num pequeno espaço de tempo. Rapidamente e drasticamente. Ao contrário de uma reforma onde a transformação, por radical que seja, se faz de forma progressiva, não há processos rápidos ou drásticos, muito menos dramáticos. Entretanto, mesmo do objeto da transformação ser uma realidade concreta, o conceito também engloba os atores envolvidos no processo. Então, a diferença não é somente no processo em si, mas, também e sobretudo, na maneira como as pessoas envolvidas lidam com essa transformação, a maneira como se encara um processo desses.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na Venezuela, o que está em curso é uma revolução. Estão ocorrendo mudanças dramáticas e extremamente profundas na sociedade. Desde a economia, passando por transformações sociais, incluindo o Estado, enfim, tudo é foco de transformações e mudanças – o que não é o objetivo explicitar neste texto. A revolução traz, para as pessoas que nela vivem, a possibilidade do protagonismo em uma transformação, a possibilidade de trabalhar em um determinado caminho e com um determinado objetivo; e, através deste fato, abrir a possibilidade de colocar atores sociais e políticos em ação, permitindo que trabalhem, que se movimentem, terminando com a inércia de se manterem imóveis e aceitando o que está imposto num determinado tempo e espaço. A sociedade venezuelana é uma sociedade que está imersa, encarando e trabalhando em um processo, que tem a &lt;em&gt;revolução&lt;/em&gt; como um projeto e que usa essa denominação para atribuir valor ao que é feito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O &lt;em&gt;Projeto Revolucionário&lt;/em&gt; é peça fundamental para o engajamento e participação das pessoas como atores sociais e políticos. Através desse projeto maior, a revolução se transforma no projeto pelo qual se trabalha para transformar profundamente o país. Projeto geral que tem os objetivos de diminuir a diferença social entre as pessoas, distribuir riqueza, etc. E por ser um projeto geral no qual há muitas pessoas ativas e envolvidas, ele serve para trabalhar com duas grandes dificuldades que ocorrem na mobilização de um determinado grupo social: a falta de motivação para o engajamento no processo de trabalho e a dificuldade de resolver impasses naturais ao processo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As pessoas, ao saberem que existe um projeto grande, &lt;em&gt;A Revolução&lt;/em&gt;, sabem automaticamente que elas não estão sozinhas na labor de mudar o país, que não precisam fazer tudo, que não precisam “carregar o mundo nas costas”. Como é um projeto grande e há um grande número de pessoas envolvidas, muitas frentes de trabalho estão abertas. Além disso, como o conjunto da sociedade está participando, é mais fácil a participação do ator social para um determinado trabalho, já que cada um sabe que o outro também está trabalhando e que, por pouco que se faça, se está colaborando com todo um projeto que está em andamento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O outro lado da mesma moeda é que, ao existir um projeto maior, um projeto que unifique o conjunto dos projetos menores, e que, ao mesmo tempo é diretor destes, no momento em que surge uma determinada dificuldade, impasse ou divergência, as referências para resolver este problema já estão dadas. O objetivo maior é concreto e palpável. Existindo uma referência de quais são os grandes objetivos e de onde se quer chegar, é mais simples resolver problemas e obter consensos. Existe uma referência superior e concreta ao “achismo” de cada ator.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Isso transforma o &lt;em&gt;Projeto Revolucionário&lt;/em&gt; em um unificador de caminhos e em um conglomerador de pessoas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No mesmo sentido, a Revolução se transforma em uma referência para além do projeto, se transforma em um valor que recebe depósitos de esperanças e vontades. Cria-se um ente revolucionário, um processo no qual, ou se está dentro, ou se está fora. Não há meios termos. Mesmo que não se concorde com a maneira como se está conduzindo o processo, há abertura para as pessoas que não concordam com os meios proporem caminhos diferentes. Mas, claro, é necessário que os valores e os rumos sejam os da mudança, os da &lt;em&gt;Revolução&lt;/em&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Analisar isso do ponto de vista da disputa de classes é muito interessante. No momento atual, Chávez é a personificação do processo e dos valores revolucionários, contando com mais de setenta por cento de aprovação. Quem não aprova, pertence de maneira geral a uma classe média-alta e classe alta que estão vendo que o processo ameaça os confortos e as regalias que a antiga IV república sempre promoveu. Então, como não lhes interessam as mudanças, são contra o valor revolucionário. O que é justificado e aceitável do ponto de vista da compreensão da sua maneira de ver o mundo. Por outro lado, as classes populares estão apoiando maciçamente o processo. Porque mesmo que não concordem com a maneira como está sendo conduzido, coisa que é comum nas críticas, não podem negar a concretude de que suas vidas melhoraram. E, fundamentalmente, existe espaço para o protagonismo e para participação, existe espaço para se propor outras maneiras de fazer. Ou seja, a direção do processo, a direção na qual a revolução aponta é inegavelmente um valor que é compartilhado pela enorme maioria da população. Seus caminhos e trilhos é que estão em disputa, mas não seus valores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim o &lt;em&gt;Projeto Revolucionário&lt;/em&gt; é a concretização operacional desse valor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em outros paises latino-americanos onde não temos um &lt;em&gt;Projeto Revolucionário&lt;/em&gt; explícito, tudo o que foi falado acima praticamente não existe. Não há união ao redor de um projeto, porque esse projeto não existe como tal, os valores revolucionários ficam restringidos nas individualidades e nas singularidades de cada um dos atores. Como não existe um mote unificador da direção, a dificuldade para resolver problemas, impasses e disputas é infinita. Cada um tem a sua opinião e estas opiniões não se unem por nenhum lugar. Não há motivação generalizada para trabalhar e para sair da inércia do imobilismo, porque não há concretamente pelo que lutar. A sociedade permanece quebrantada e extremamente subdividida, não há união na luta social, e, essa divisão, nos enfraquece permanentemente. É só olhar os processos eleitorais, onde é comum a dita esquerda aparecer freqüentemente dividida na figura de muitos candidatos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É necessária a união da luta; é necessária a união do projeto; é necessária a unificação dos valores; é necessária &lt;em&gt;A Revolução&lt;/em&gt;!&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/22804862-114056613723352815?l=estebanalbizuri.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://estebanalbizuri.blogspot.com/feeds/114056613723352815/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=22804862&amp;postID=114056613723352815' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22804862/posts/default/114056613723352815'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22804862/posts/default/114056613723352815'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://estebanalbizuri.blogspot.com/2006/02/revoluo-como-projeto-revoluo-como.html' title='Revolução como projeto – Revolução como valor'/><author><name>Esteban Albizuri</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08678679544167779291</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-22804862.post-114056457394453844</id><published>2006-02-21T20:26:00.000-03:00</published><updated>2006-02-21T21:12:41.993-03:00</updated><title type='text'>Um, dois, três milhões?</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:courier new;"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Não se sabe ao certo, o fato é que foi muita gente...&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Há uns dias fiquei sabendo que aconteceria uma passeata, aqui chamada marcha, em comemoração ao aniversário de sete anos do governo revolucionário de Hugo Chávez. Quando recebi a notícia estava no ato oficial dessa mesma comemoração. Confesso que já tinha a intenção de participar de uma marcha, mas não atribuí, num primeiro momento, a importância devida a esta em particular.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chegado o dia, quarto de fevereiro de 2006, me encontrei, como havia combinado anteriormente com José, um promotor social, na estação do metrô que fica em frente de “casa”. Lá chegando, um grupo de umas vinte pessoas de vermelho se aglomeravam esperando o restante do grupo chegar. Entre conversas e conversas, fui interrogando sobre qual era a motivação para tal disposição de marchar numa manhã gelada de um sábado ensolarado. Todos eram chavistas, cada um com uma camiseta diferente, mas todas vermelhas e todas de algum momento histórico do passado recente ou de algum movimento governista. Tietagem? Foi o que primeiro pensei. Mas fiquei com isso na cabeça...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Conversando com aquelas pessoas, fui entendendo que elas estavam lá para participar de uma festa, de uma grande festa popular, de um encontro de pessoas. Pessoas que estão construindo um país diferente, diferente do que haviam vivido no passado recente. Estavam lá para participar da defesa de um novo que não querem que desapareça. E tudo isso é simbolizado na figura de uma pessoa: Hugo Chávez Frias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fiz algumas gravações, iniciando a captação de imagens para a confecção de um ou vários curtas documentários. Neste momento transbordaram as manifestações pró Chávez, quase num frenesi como de uma debutante falando sobre seu ator preferido, porém em vez de “como é lindo!” e coisas parecidas, os argumentos eram os logros da revolução, contando vantagem sobre a erradicação do analfabetismo (Venezuela é o segundo país do continente, depois de cuba, a ser declarado território livre do analfabetismo pela Unesco), sobre a construção dos programas de saúde, etc.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando entramos no metrô, que diga-se de passagem foi gratuito naquele dia, começaram os gritos de guerra, tal qual uma torcida de futebol, entoando “Uh! Ah! Chávez no se vá”, “así, así, así es que se gobierna”, entre outros tantos. O trem inteiro cantando! A viagem até o ponto da concentração foi feita em dois trechos, um dos bairros populares para o centro e o outro no eixo central da cidade. No primeiro trecho, os chavistas eram “hegemônicos”, mas, no segundo, havia vários escualidos (assim são chamados os opositores a Chávez, geralmente pertencentes à classe media alta e classe alta), um contraste bem interessante de perceber: a cara de acuados e um certo temor de ver o “seu” território tomado pelo povo. De fato, não é comum ver num sábado de manhã uma verdadeira multidão lotando os metrôs...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A sensação que aquela situação passava era a de sentir o povo tomando conta de tudo, ocupando seu espaço! A quebra da barreira imaginária que é a geografia excludente da cidade!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chegando no ponto de encontro, caí na real da dimensão dos futuros acontecimentos. Muita gente! Muita! Pessoas que de maneira geral traziam uma vibração e uma empolgação que seria necessário uma cegueira sentimental para não perceber. A rua em frente à estação do metrô já estava tomada, não passavam mais carros e a multidão se encaminhava, seguindo seu destino. Passavam e passam, surgiam das ruas que desciam os morros, vinham de todas as esquinas, de todas as partes, continuavam surgindo da boca do metrô sem parar. Um verdadeiro mar de gente! Nunca vi uma multidão tão gigantesca! Parecia não ter fim!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Começamos a marchar, eu estava com os promotores de saúde que estou acompanhando e também com um pessoal do ministério de saúde, que saíram como bloco. As Parroquias (bairros) eram representadas pelos seus conselhos comunitários, entidades, etc., dando um tom avermelhado às ruas da cidade. O azul e o amarelo acompanhavam o vermelho dominante e conformavam uns 90% dos uniformes das pessoas. No andar da marcha, mais e mais pessoas seguiam, juntando-se ao enorme conglomerado. Em todas as esquinas eram rios de gente desaguando vermelho à já densa passeata.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma avenida de três vias de cada lado foi tomada pela multidão. Foram doze quilômetros de caminhada, com carros de som, com paradas para tomar cerveja e com alguns palcos no percurso. Uma festa! Não fosse regada a muita salsa e gritos de apoio ao presidente e ao processo, diria que era o maior carnaval que já vi na minha vida! Chávez para cá, Chávez para lá, e todos caminhando para encontrar seu comandante. No seu auge, devem haver sido tomados uns bons oito quilômetros da via!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Falaram em um, dois, três milhões de pessoas... Não importa o número, mas o fato é que era muita gente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O destino final foi a maior avenida do centro da cidade, a Avenida Bolívar, onde um palco gigantesco foi montado para o discurso do presidente. Depois de algumas horas caminhando, festando e gritando, o povo chega cansado e não são todos os que resistem a um discurso de horas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já no caminho de casa, vejo que, definitivamente, não sou o único que não resistiu ao sol e ao dia de caminhada. A multidão toma novamente o metrô. Dessa vez não há gritos de guerra, mas a cara das pessoas é tranqüila, como se o dever tivesse sido cumprido. Depois de uns quarenta minutos e dois trechos de metrô (desta vez muito mais curto, já que havia caminhado doze quilômetros), chego novamente em casa e minha anfitriã, que, para minha surpresa, já havia chegado, estava vendo o discurso que eu havia abandonado há quase uma hora e estava sendo transmitido ao vivo e em cadeia nacional. Com a maior tranqüilidade do mundo, ela comenta comigo: “até que você resistiu muito tempo, nós, aqui na Venezuela, participamos da marcha e, se chegamos muito cansados, vamos para casa para ver o discurso do presidente na TV, com mais calma e mais conforto para poder escutar direito. Lá naquela multidão é difícil prestar a atenção devida!”. Lá no Brasil vocês fazem isso também?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/22804862-114056457394453844?l=estebanalbizuri.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://estebanalbizuri.blogspot.com/feeds/114056457394453844/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=22804862&amp;postID=114056457394453844' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22804862/posts/default/114056457394453844'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22804862/posts/default/114056457394453844'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://estebanalbizuri.blogspot.com/2006/02/um-dois-trs-milhes.html' title='Um, dois, três milhões?'/><author><name>Esteban Albizuri</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08678679544167779291</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-22804862.post-114056430098924153</id><published>2006-02-21T20:14:00.000-03:00</published><updated>2006-02-21T21:13:04.330-03:00</updated><title type='text'>Primeiras impressões</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-family:courier new;"&gt;06.02.2006&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:courier new;"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Primeiras impressões de uma vivência na República Bolivariana da Venezuela&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Este é o primeiro relato que faço dos muitos que tenho intenção de fazer nestes três meses que pretendo ficar aqui na Venezuela, vivenciando e estudando o processo revolucionário que se iniciou há pouco mais de sete anos neste país.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda não tenho muito claro qual é a cara que esses relatos vão ter. Num primeiro momento, vou tentar uma forma mais narrativa e, na medida que se forem desenrolando as idéias e as vivências, pode ser que isso vá mudando, já que não estou preso a nenhuma forma pré-estabelecida e desde já aceito sugestões e críticas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estou há praticamente duas semanas na Venezuela e, tirando que na primeira fiquei praticamente todo o tempo vinculado ao Fórum Social Mundial, posso dizer que ainda não tive tempo para fazer grandes nem precisas análises, até porque como ficarei três meses aqui, não estou em ritmo intensivo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pois bem, nestes dias bolivarianos algumas coisas já saltam aos olhos e atraem a atenção... São impressionantes as semelhanças com o Brasil! Falo de Caracas, até porque ainda não rodei por outros pagos. O povo, a cidade, a bagunça, o tumulto, a desordem devidamente ordenada, os ares e os cheiros, o ritmo frenético e alegre ao mesmo tempo, a cor e a mistura de pessoas e diferentes etnias... A primeira impressão é de repulsa e de medo do desconhecido. Não se entende como as coisas funcionam, o ritmo aparentemente é outro, a novidade choca, mas, logo em seguida, dando-se um pouco mais de tempo para que as coisas vão acontecendo e tendo um pouco mais de calma, é como se a vista se amoldasse ao que se vê, uma impressão semelhante a de chegar a um quarto escuro e esperar a vista compreender que naquele recinto há uma luz diferente. É então que a cidade vai se modelando à vista deste observador. Opa! Há mais alegria e solidariedade do que a agressividade primeira poderia apontar. As pessoas são amáveis e, desconsiderando uma formalidade informal, te tratam bem e estão prestes a ajudar. O espanhol, bem, isso é uma outra história! Tenho o espanhol também como língua materna, mas definitivamente o venezuelano é bem diferente do argentino. Difícil de entender quando falam rápido e também é difícil de se fazer entender com o vocabulário que usualmente manejo, mas isso também é coisa que pouco a pouco vou apreendendo - já dei alguns passos importantes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por falar em apreender, esse tipo de experiência é uma oportunidade para apreender 24hs por dia! É impressionante o quanto se apreende e se absorve em tão curto espaço de tempo!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A República Bolivariana da Venezuela é definitivamente um outro país depois que foi refundada a nova república, chamada de V República. O que se vive é um processo revolucionário. Um processo revolucionário que se inventa a cada dia e do qual participa ativamente um grande conjunto da população. Se auto-intitulam de uma democracia participativa. Essas definições por nunca terem sido aplicadas, ou poucas vezes aplicadas, ficam no campo do ideário e não se consolidam como conceitos. Mas, para sermos descritivos, aqui na Venezuela se dá o nome de Democracia Participativa a esse processo de participação popular nas coisas do dia a dia, a esse processo tão bonito de construir uma revolução com as próprias mãos, todos – ou quase todos – juntos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há um conceito muito interessante que fica permanentemente pairando no ar, que já citei acima, mas que vale a pena enfatizar porque é freqüentemente repedido nos discursos e nas falas. “Hay que invertar el socialismo del siglo XXI”. Vou tentar reproduzir falas que tenho ouvido pelas ruas: “não há modelos prontos; não sabemos como fazer; temos que inventar nosso próprio jeito de fazer; temos que adequar o que já sabemos para aplicá-lo nos objetivos que estamos querendo; apreender com os nossos erros e com os erros da história; inventar a maneira de multiplicar nossa própria força criativa; não podemos tentar reproduzir coisas que já sabemos que não dão certo; literalmente: o inventamos o morimos!” A coisa que complementa esse novo conceito é o fato de se ter muito claro que é “ou socialismo, ou barbárie”, isso porque quando nos colocamos frente a um processo revolucionário é necessário apontar para algum lugar, e se tratando de modelo, a Revolução Bolivariana se coloca como um movimento Anti-Imperialista e Socialista, mas não se propõe a inventar nenhum modelo de socialismo pré-estabelecido ou já posto em prática em qualquer outro canto do mundo. Mas que socialismo? Isso também há que se inventar! Os chamados socialismos reais não são reproduzíveis, nenhum modelo é reproduzível se se quer levar em conta as particularidades de cada lugar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“A única maneira de acabar com a pobreza é dando poder aos pobres”. Este processo revolucionário tem inventado várias maneiras de efetivamente dar poder aos pobres. Quando, finalmente, depois de vários anos de tentativas de golpes e disputas eleitorais, Chávez chega ao poder liderando o Movimento Quinta República (MVR), se encontram dois enormes problemas na realidade venezuelana. Primeiro é a imensa e monstruosa divida social que se acumulou ao longo dos muitos anos de dependência econômica e política de muitos e muitos governos pelegos e “vende patria”. Segundo, a inércia, corrupção, burocratização, ineficácia e ineficiência da máquina do estado. Qualquer semelhança com a maioria de nossos países Latino-americanos é mera coincidência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas de fato o governo Hugo Chávez é diferente de outros governos ditos de esquerda. Aqui, efetivamente, o projeto foi e está sendo dar poder aos pobres, aos menos favorecidos e àquela parcela da população que historicamente ficou à margem do protagonismo político e reprodutivo do país. Como isso está sendo feito? Acho que esta é uma das coisas mais interessantes que existem nesse processo. Primeiro, a viabilização econômica do projeto, vale a pena ser dito, vem diretamente dos monstruosos lucros que a indústria petroleira vem dando para a nação – principalmente depois que a PDVSA foi recolocada nas mãos do Estado. A grana vem diretamente do petróleo e é administrada pelo gabinete presidencial.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como falei anteriormente, o Estado Venezuelano era e ainda segue, parcialmente, sendo burocratizado, corrupto e ineficiente. Não é possível contar com as instituições tradicionais para gerir um processo revolucionário, ou seja, mesmo que se aumentasse, por exemplo, o orçamento do Ministério da Saúde em 15 vezes, a eficiência dele não seria suficiente para organizar uma revolução sanitária como a que se vive atualmente. A saída foi a canalização de esforços e dinheiro para a concretização e efetivação de Misiones. O que são essas missões? Nada mais são do que projetos e programas paralelos à instituição formal do Estado que contam com objetivos claros e condizentes com as necessidades sociais e reais da nação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vou tentar ser um pouco mais claro, usando o exemplo da saúde. Mas, antes disso, é necessário dizer que nada se fez sem a participação das comunidades e escutando as comunidades. Pois, mesmo que a dívida social seja bem clara e fácil de reconhecer, quando, como e onde foram demandas das diversas comunidades, descobertas através de vários instrumentos de escuta que tentarei resgatar em um outro momento. Vamos à saúde. Não seria de se admirar que, nas condições que o país foi encontrado pelo atual governo, uma das demandas e necessidades mais estruturais era a falta de atenção à saúde e todo seu contexto sanitário. Como criar, inventar uma solução para esse problema? Como dito anteriormente, o Ministério da Saúde, por mais “descabeçado” que possa haver sido com o novo processo, não possuía estrutura para dar conta dessa demanda. Por outro lado, não havia tempo de reconstruir a máquina do Estado para então atender a estas demandas. Foi criada então a Misión Barrio Adentro, cujo nome exemplifica muito bem de que se trata. Nos bairros mais carentes, nas comunidades menos favorecidas, são criados módulos de atenção primária, implementados de acordo com as demandas das organizações comunitárias e com a ajuda de médicos cubanos (que, diga-se de passagem, estão criando muitos problemas, mas isso também é motivo para outros relatos). Eles vêm com a designação de “missão humanitária” – o que resolve o problema do exercício ilegal da medicina – e se instalam nas comunidades e bairros de todo o país. Hoje existem mais de vinte mil médicos cubanos atuando na Venezuela, pagos diretamente pelo gabinete do presidente com verba petroleira! O impacto é imediato! Dívida social encarada extra-institucionalmente, gerando impacto concreto na vida das pessoas e fazendo com que os pobres ganhem poder. Hoje já se estão efetivando as Misiones Barrio Adentro II e III que consistem na concretização de todo o sistema de saúde.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Obviamente que a saúde, individualmente, não resolve muita coisa, mas a Misión Barrio Adentro, Misión Ribas, Misión, Robinson, Misión Sucre, Misión Mercal, Misión Vuelvan Caras, Misión Cultura, entre tantas e tantas outras (citei as que me fui lembrando…), atuam diretamente no dia-a-dia das pessoas nas diversas frentes necessárias, como educação, moradia, alimentação, etc. Assim, o conjunto do projeto revolucionário se torna, sim, uma forma efetiva de distribuição de poder.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dessa maneira, a instituição tradicional foi a que teve que se moldar à nova maneira de fazer das missões. De forma lenta e paulatina, as missões começam a conversar com suas instituições correspondentes e, aos poucos, a máquina estatal vai se transformando. Muito presente nos discursos é a direção do combate à corrupção, que se encontra na forma de reproduzir o fazer no dia-a dia das representações que estão mais distantes do poder central, como é o caso dos CMAI (Comitê Municipal de Atividades Integrais), uma espécie de sub-prefeituras extremamente pulverizadas nos diversos bairros. As pessoas que lá trabalham incorporam o discurso e tentam fazer diferente. É muito interessante ver isso acontecer no dia-a-dia! Ainda estou em processo de moldar a lente, mas certamente será uma vivência extremamente rica!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para concluir este primeiro relato, vou, breve e resumidamente, falar um pouco da relação do povo com o seu presidente, Hugo Chávez Frias. Admiração, confiança, respeito, devoção, mais confiança e muita tietagem são algumas das coisas que se estabelecem nessa relação. Outro dia, vinha voltando tarde da noite, depois de uma reunião na prefeitura, e, numas barraquinhas de cachorro quente (que aqui é sem molho de tomate!), vi uma situação inusitada para mim. Dois televisores ligados, num deles passando um jogo de beisebol da Liga do Caribe, o equivalente a Libertadores no Futebol, jogando Los Leones de Caracas e um time de Porto Rico, acho (sei que era um jogo importante como fui saber mais tarde), e, no outro televisor, o presidente Hugo Chávez fazendo um pronunciamento qualquer. Pois bem - quem não acreditar poder vir e conferir! - uma pequena multidão se reunia ao redor da TV em que o Chávez falava e, na outra, uns poucos gatos pingados! Pasmem, é relato verdadeiro! Para não perder a incrível oportunidade, decidi jantar um perrito caliente e ficar observando aquela situação que, para mim, era verdadeiramente incrível. O discurso, repetindo coisas que já tinha escutado em outros dois discursos dele, acabou sincronizado com o término do meu lanche, peguei minhas coisas e fui me dirigindo para a parada mais próxima do metro. Tanto no caminho, como na longa viagem de volta para “casa”, fui escutando as pessoas conversando: “yo amo mi president;, com este si que triunfaremos; quien más haria lo que el hace?; tenemos que ir por los diez millones (em alusão ao objetivo de alcançar dez milhões de votos para este ano nas eleições presidenciais); etc., etc.”. O que vejo é um cara que, apesar de fazer o papel de líder carismático e com direito a muita tietagem, representa para as pessoas a mudança que elas estão vivendo na realidade, no seu dia-a-dia! (Um pouco mais a respeito dessa relação vou escrever no texto sobre a marcha que participei no último sábado, quatro de fevereiro).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Além desse texto contando a vivência da marcha de 2 milhões de pessoas, que pretendo escrever ainda hoje, prometo em breve escrever mais delongadamente e com maior grau de detalhes sobre alguns temas como: saúde e revolução sanitária, tietagem chavista, inclusão social, internacionalismo, socialismo do século XXI e sua implementação na Venezuela, desenvolvimento endógeno e outras coisas que irão surgindo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Gostaria de pedir que comentassem e criticassem este e os outros textos. Preferencialmente, gostaria de apontassem os erros e incoerências, potenciais de melhora e caminhos investigativos a seguir...&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/22804862-114056430098924153?l=estebanalbizuri.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://estebanalbizuri.blogspot.com/feeds/114056430098924153/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=22804862&amp;postID=114056430098924153' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22804862/posts/default/114056430098924153'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22804862/posts/default/114056430098924153'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://estebanalbizuri.blogspot.com/2006/02/primeiras-impresses.html' title='Primeiras impressões'/><author><name>Esteban Albizuri</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08678679544167779291</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry></feed>
